sexta-feira, novembro 26, 2004

Depois de tanto ter sido dito (e escrito) sobre a questão do "Semanário Académico" venho aqui apresentar um pequeno texto (que achei deveras interessante e actual) da autoria de Paulo Geraldo publicado no site http://paginaseducacao.no.sapo.pt/censura.htm e pedir que percam uns minutos (se bem que não é perda de tempo!) para o ler, compreender e assimilar.

Censura...

A palavra censura, por motivos históricos que todos conhecem, carrega às costas uma imensa carga negativa. A censura foi mal utilizada em muitos lugares e por isso hoje já não existe.Mas devia existir, porque sem ela a sociedade não educa: permite que seja arrasado em poucos minutos aquilo que pais e educadores ajudaram a edificar com grande esforço ao longo de muitos anos. O que me custa é que se possa chamar censura - uma palavra tão desagradável - ao cuidado de não deixarmos entrar na nossa casa a lama.
Pensemos numa família. Por vezes sucede que não deixamos o miúdo fazer coisas como uma escalada nas rochas, porque, não tendo preparação para uma actividade dessas, poderia eventualmente, por azar, partir um braço. Maior motivo existe para não permitirmos que passe horas, todos os dias, a ver tudo o que aparece na televisão - o que com toda certeza contribuiria muito mais para a sua infelicidade do que um braço partido...Se procuramos poupar aos nossos filhos a má companhia de um outro jovem que se droga ou se embebeda, se evitamos que frequentem lugares perigosos para a sua integridade física ou psíquica, é natural que tenhamos esse mesmo cuidado em relação a um programa de televisão que lhes é prejudicial.
Mas não deviam ser apenas os pais a ter essa preocupação com as crianças. Elas não dizem respeito a toda a sociedade? Os governos não se deviam preocupar com isso?Os pais não permitem que entre em casa, por exemplo, uma revista pornográfica, mas os governantes permitem que elas se vendam nas lojas. Isto parece significar que pais e governantes têm preocupações diferentes pelas crianças.
Devia haver censura. Com outro nome. Com um nome que reflectisse o amor apaixonado dos pais pelos seus filhos, o entusiasmo enorme de uma nação pelas suas crianças.Eu não me importo nada de dizer isto quando não está na moda dizê-lo. Até porque, como não há censura..., ninguém me vem prender.
O que sucede actualmente é que - para defender a "liberdade de expressão" daqueles que produzem certos programas televisivos e dos que fabricam determinado género de revistas e filmes e livros - permitimos que as nossas crianças e os nossos jovens se sujem nos vómitos orgíacos dessa gente: pseudo-intelectuais, pseudo-artistas, porque aquilo que produzem não é bom nem verdadeiro nem belo.Ora, a liberdade de expressão não é nada que dê a alguém o direito de sujar os outros. Neste ponto, ou entendemos mal, ou estamos a deixar-nos ir na cantiga de quem utiliza o termo "liberdade de expressão" para defender a sua actividade, que não passa de um inaceitável negócio feito à custa do mal de outros.
Devíamos proteger os nossos - protegermo-nos a nós mesmos - desses negociantes de mãos sujas. Era preciso reduzi-los ao silêncio. Não porque pensem de uma forma diferente da nossa (como sucedia na censura que foi amaldiçoada), mas porque não entenderam que coisa é a liberdade. Reduzi-los ao silêncio até que entendam que ao direito de fazerem o que lhes passa pela cabeça não é permitido ultrapassar aquele limiar no qual começa a pisar o direito que as outras pessoas têm de não serem pisadas.

Paulo Geraldo

Espero que tenham apreciado estas simples, mas plenas de significado, palavras de Paulo Geraldo e que tudo se resolva por bem!

Carlos Sousa

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MORREU O SEMANÁRIO, NASCEU O PASQUIM! Depois de ter passado horas a consultar vários blogs, onde li textos, comentários, reações, insultos, actos de covardia, mil e uma coisas, só consigo ter um estado de espirito...tristeza, estou cada vez mais triste por viver num país que permite que actos como estes sucedam, numa cidade e numa academia que permite que jovens despótas armados em políticos do futuro sigam o exemplo do seu idolo "santaninha"...

À A.A.U.M. que diz querer um académico livre e isento, só pergunto como será esse processo?Será nomeando um grupo de amigos para ficarem com uns tachos no futuro pasquim da academia?

Pertenci ao Académico no ano lectivo de 2001/2002, de onde saí com um grupo de colegas porque apesar de alunos (nunca profissionais), amantes do jornalismo, não queriamos trabalhar assim...

Trabalhavámos por prazer, nunca nenhum redactor recebeu nenhuma compensação, nem para telemovel ou gasolina...é pena que o Académico termine assim, sim porque o académico terminou, ou pelo menos o semánario, aquele em que nos colaborámos, agora até lhe podem chamar Académico, mas não será o semanário, será o pasquim da academia...

Hugo Real

P.S- E falando sobre rigor e isenção jornalistica:
Saberá a comissão de gestão do académico o que são critérios de noticiabilidade?
Como é possível que apareça uma pequena caixa na capa sobre a anulação das eleições para o REOGUM pelo reitor, e a manchete seja "contas aprovadas sem votos contra"...bonito não?

P.S.2: Foram muito tristes os comentários e as "bocas" dos elementos da AAUM, durante a manifestação de anteontem. É curioso que nesse tipo de manifestações a má educação e boçalidade residem, geralmente, no lado em que se fazem os protestos. A multidão em fúria é geralmente mais propensa a insultar e a vexar; mas neste caso foi ao contrário!

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quinta-feira, novembro 18, 2004



FALTA DE CULTURA DEMOCRÁTICA A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) decidiu pôr termo à publicação do “Semanário Académico”, o jornal oficial da Academia do Minho. O periódico, fundado em Setembro de 2000 por um grupo de alunos do curso de Comunicação Social da Universidade do Minho (Cristóvão Teixeira, Tiago Silva, Isabel Freire, Paulo Salgado e o autor destas linhas, entre outras pessoas), era o único semanário universitário português.

Na origem da decisão da direcção da AAUM estiveram as divergências com a direcção do jornal, devido à linha editorial da publicação. No entender da direcção da AAUM, o jornal era excessivamente crítico da sua actuação. Ou seja – e não é preciso ser muito inteligente para compreender isto -, estamos perante um acto de censura pura e dura.

Quando fundamos o jornal, há quatro anos atrás, fizemo-lo com o propósito de criar uma publicação independente a nível editorial. O “Académico” surgiu como um jornal ao serviço da Academia – ou seja, em prol dos estudantes -, e não da direcção da AAUM. O que nem sempre foi compreendido por alguns dirigentes, mais interessados que estavam em promover as respectivas imagens públicas (como se assim passassem a merecer o respeito e a consideração dos seus colegas e concidadãos…).

O que estes senhores não entendem é que a equipa do “Académico” quer praticar verdadeiro jornalismo, e não assumir o papel de reles “paus mandados”. Para certos dirigentes, ser independente e isento é o mesmo que ser contra. “Quem não é por nós, é contra nós!”, dizem estes aprendizes de político!

O verdadeiro jornalismo quer-se independente de qualquer poder político ou económico. É pena que a direcção da AAUM não tenha a cultura democrática necessária para compreender este princípio básico de qualquer sociedade democrática e civilizada. Penso que isto nos indica o tipo de pessoas que dirige o nosso associativismo, assim como o rumo que este tem tomado nos últimos anos.

Já quando era director do “Académico” – entre Setembro de 2000 e Março de 2002 -, se fazia sentir esta mentalidade absurdamente “pidesca”. Aliás, foi por isso que me demiti do cargo (e creio que algumas atitudes que então tomei em relação à direcção da AAUM serão agora melhor compreendidas…).

Perante este momento de injustiça porque os meus colegas estão a passar, só posso manifestar a minha profunda solidariedade e compreensão. E dizer-lhes que compreendo e partilho da sua justa revolta e indignação.

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quinta-feira, outubro 07, 2004



DURA PRAXIS, SED PRAXIS! A Praxe Académica nasceu nas universidades medievais, na sua maioria fundadas ou tuteladas pelas ordens eclesiásticas. “Praxe” deriva do latim “praxis”, que por sua vez tem origem no termo grego para “acção”. No latim, esta “acção” passou a significar a forma habitual de agir, o “uso” ou o “costume”. Em Portugal, a Praxe surgiu na Universidade de Coimbra (instalada em Lisboa durante alguns anos), sob a designação de “Investidas” ou“Caçoadas”, no início do século XIV. Entre outros preceitos, as regras da Caçoada estipulavam que os caloiros não poderiam andar na rua depois do anoitecer. Os que violassem essas regras seriam punidos pelos alunos mais velhos que, entre outros castigos, rapavam o cabelo dos caloiros infractores e batiam-lhes nas unhas com colheres de pau. Ao que parece, terá sido o próprio Rei D. Dinis a instituir a Praxe, como forma de manter a ordem entre os estudantes e, principalmente, entre estes e as populações de Lisboa e Coimbra.

Estes castigos e rituais da Caçoada, que por vezes assumiam extrema violência, motivaram várias intervenções das autoridades. Por exemplo, em 1727 o rei D. João V proibiu completamente as Investidas e as Caçoadas. Na origem dessa decisão do governo de Sua Majestade Fidelíssima, esteve a morte brutal de um caloiro de Coimbra, no seguimento de uma Caçoada particularmente violenta. Mais tarde, porém, a Caçoada voltou a ser praticada, transformando-se em “Praxe académica” (1). Em Portugal, a “Praxe” era então um costume exclusivamente coimbrão, cuja difusão pelo resto do país se deu apenas quando a princesa do Mondego perdeu o monopólio do ensino universitário (2). Ou seja, só se tornou uma “tradição” generalizada há relativamente pouco tempo, se fizermos a necessária comparação com a história secular da Praxe coimbrã.


Evolução e fundamentos da Praxe

Note-se que o termo “Caçoada” remete para a reinação à custa dos novos alunos. Com efeito, “caçoar” significa gozar ou divertir-se à custa de outrém, nomeadamente através da humilhação física ou psicológica desse alguém. “Investida”, por seu turno, remete para os grupos de estudantes mais velhos que vagueavam pelas ruas de Coimbra à “caça” de caloiros, recorrendo mesmo à violência física. Estes grupos foram os antecessores das actuais “trupes”.

É curioso verificar que, com o passar dos séculos, as “Investidas” e as “Caçoadas” passaram a denominar-se “Praxe Académica”, ao mesmo tempo que se encontrou uma nova justificação para a sua existência. Estes costumes deixaram de ser encarados como uma diversão dos mais velhos às custas dos mais novos (embora continue a ser uma forma de os primeiros demonstrarem a sua “superioridade”, dentro da “ordem natural” das coisas), para passarem a ser justificados pela necessidade de integração dos mais novos.

Ou seja, por um lado, a alusão directa à violência e à reinação - através dos abusos infligidos aos mais novos -, foi substituída pela invocação da “praxis”, i.e., dos usos tradicionais, e a própria violência física foi abandonada. Por outro, a Praxe passou a ser justificada com a necessidade de integrar os novos alunos. Neste percurso adivinha-se uma necessidade cada vez maior, por parte dos defensores da Praxe, de a justificarem aos olhos da sociedade. Assim sendo, os actuais defensores da Praxe pretendem que esta seja respeitada por duas razões: por ser uma “tradição” e por, alegadamente, ser o melhor meio de integrar os novos alunos.

A “ideologia” praxística assenta numa ideia base: os mais velhos possuem mais “sabedoria” e por isso merecem o respeito e a obediência dos mais novos. Ao lado do saber “oficial”, ministrado pela Universidade, existe o saber mundano, aquele que advém da experiência de vida acumulada pelos mais velhos.

Por um lado, existe um conjunto de rituais de iniciação na comunidade académica (o “baptismo”, etc), que integram o aluno recém-chegado. Esses rituais não são muito diferentes, na sua essência, de outros ritos de iniciação praticados noutros contextos, um pouco por todo o mundo, e nas mais diversas sociedades e culturas.

Por outro lado, os mais velhos personificam um “saber” que exige respeito e obediência. Exigências estas que se manifestam na “justiça da Praxe”(2) exercida pelos alunos mais velhos. Nesse sentido, os rituais da “justiça da Praxe” assumem-se como a forma mais eficaz de os alunos mais velhos demonstrarem a sua superioridade em relação aos mais novos. “Superioridade” essa que muitos novos alunos preferem não contestar abertamente, com receio de sofrerem o tratamento reservado aos “anti-Praxe”, que são publicamente identificados como tal, e se encontram impedidos de participar na vida académica.


Uma confraria iniciática?

A estrutura praxística torna-se quase uma confraria iniciática, uma vez que os seus membros têm de cumprir determinados requisitos para dela fazerem parte - neste caso, a obrigatoriedade de serem estudantes universitários e de se sujeitarem aos ritos de iniciação -, encontrando-se divididos em diferentes graus, consoante a antiguidade dessa mesma pertença. Como nas confrarias iniciáticas (3), a antiguidade confere o “saber” (gnosis), que aumenta à medida que o aluno ascende nos diferentes graus previstos no Código de Praxe. Quanto mais elevado é o grau, maior é o “conhecimento” acumulado pelo indivíduo e a reverência que, pelo menos em teoria, poderá esperar da parte dos colegas.


A Praxe e a ordem estabelecida

Ao impôr o respeito pela hierarquia e pela autoridade dos mais velhos, a Praxe transmite aos novos alunos a ideia de obediência à ordem estabelecida. Entre outras coisas, a Praxe é uma forma de transmitir a ideologia dominante aos novos membros da Academia. Além disso, as canções que se cantam nas “praxes”, por exemplo, reflectem as crenças dominantes e, por vezes, os preconceitos da nossa sociedade; nessas canções, é frequente o elogio do homem “garanhão”, a condenação moral da mulher “libertina” e a troça dos homossexuais.

É curioso constatar que os períodos históricos de maior fervor praxístico foram também os de maior estabilidade política. Por outro lado, as épocas revolucionárias e de luta social fizeram esquecer os costumes praxísticos. Foi o que aconteceu durante as lutas liberais do século XIX, e na década que sucedeu à instauração da Primeira República. Mais recentemente, entre 1961 e 1980, a Praxe voltou a cair no esquecimento, devido às lutas estudantis e à Revolução.

Essas épocas conturbadas foram marcadas pelo triunfo do individualismo e das ideias demo-liberais, o que explica o esquecimento a que votaram a ideologia praxística, com os seus valores de obediência à autoridade e à ordem estabelecida. Aqueles que se submetem à Praxe – voluntariamente ou não -, abdicam de uma parte da sua individualidade em prol daquilo que consideram ser o bem comum; os valores do grupo, do “clã”, sobrepõem-se assim aos direitos individuais que a nossa sociedade sacralizou. O que ajuda a explicar a polémica que hoje existe em volta da Praxe, e o extremar de certas posições que tornam impossível um debate sereno sobre o assunto.


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(1)- A palavra “Praxe” foi usada pela primeira vez neste contexto em 1863, e desde logo acompanhada pelo adjectivo “selvático”. Ou seja, fazia-se referência aos costumes “selváticos” dos estudantes de Coimbra. Com o passar do tempo, contudo, abandonaram-se os termos medievais “Investidas” e “Caçoadas”, vulgarizando-se a denominação “Praxe Académica”, ou seja, “costumes académicos”.

(2)- “Justiça da Praxe” são as “Praxes” que os alunos mais velhos aplicam sobre os mais novos.

(3)- Na maioria das confrarias iniciáticas (e sociedades secretas), a ascensão deve-se não apenas à antiguidade, como também ao mérito dos iniciados. No caso concreto da estrutura praxística, como não existem “provas” para ascender aos diferentes graus (à excepção dos rituais de iniciação a que os “caloiros” se têm de submeter), podemos dizer que a ascensão se deve quase exclusivamente à antiguidade da pertença à comunidade académica. Digo “quase exclusivamente”, porque o dirigente máximo – o “Dux Veteranorum”, ou o “Papa” -, é geralmente eleito pelos seus pares, sem que a antiguidade seja tida em conta (à excepção do facto de ter de possuir obrigatoriamente mais matrículas que os anos do curso).

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quinta-feira, setembro 23, 2004

OS "CHACAIS" Ao longo destes anos de vida académica, tenho assistido a cenas verdadeiramente tristes, especialmente na época das praxes. Não, estimado leitor, isto não é um qualquer manifesto anti-praxe; quero apenas falar da chacalidade – perdoem-me o neologismo - de certos praxantes.

Acredito que, tal como em tudo na vida, na Praxe deve existir bom senso, sentido de humor e bom gosto. Se estas três qualidades existissem na correcta medida, a imagem da Praxe seria hoje bem melhor. Além disso, será de esperar que os "praxantes" pretendam realmente integrar os novos alunos, o que nem sempre acontece. Com efeito, muitos se movem por segundas intenções... ora é desses "chacais" que pretendo falar.

Para muitos, o ano em que se “praxa” é o auge da popularidade na universidade, e também aquele em que mais se “engata”. E as caloiras, completamente desenraizadas e não raras vezes desorientadas, tornam-se um alvo fácil para estes pseudo-predadores sexuais.

Tenho visto doutores que descaradamente se aproveitam da ingenuidade das caloiras; conheço outros que, com mil e uma simpatias e sorrisos, temperados com oportunas ajudas e boleias, tentam “engatar” as novas alunas; e sei ainda de alguns que, sob a inócua designação de “padrinho”, procuram dar à palavra “afilhada” um novo significado. Acho deprimente esta mentalidade de “tudo o que vem à rede é peixe”, e que “as nossas caloiras são só para nós”.

Consideram-nas uma coutada privada, ficando muito indignados quando elas se envolvem com alunos de outros cursos, ou começam a formar o seu próprio grupo de amigos, já livres das pressões da praxe. Esquecem-se estes “doutores” que a Praxe serve para integrar as pessoas na Academia e não apenas nos seus cursos. Do mesmo modo, a Praxe não serve para os proselitismos mesquinhos que certos "grupinhos" tanto gostam de fazer.

No entanto, não sou contra as relações íntimas entre doutores(as) e caloiras(os), nem sou moralista ou ingénuo a ponto de pensar que as caloiras se deixam “levar” por serem “inocentes”, ou que por sua vez não se aproveitam dos “doutores”. Mas considero deprimente que, para alguns “doutores” e “engenheiros” - geralmente, aqueles que não têm grande vivência académica -, a praxe seja a única oportunidade de “engatar” raparigas.

Como chacais esfomeados, lançam-se sobre a “carne fresca” que entra na Universidade, desvirtuando o propósito da Praxe e prejudicando a integração dos novos alunos.

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quinta-feira, julho 08, 2004

O QUE NÓS QUEREMOS "Só má língua!", dirão alguns visitantes deste blog. Mas enganam-se os que assim pensam. Nós não queremos atacar pessoas em concreto. Nós não queremos insultar ninguém. Nós não queremos espalhar boatos e calúnias. Nós queremos, isso sim, denunciar a falsidade, a hipocrisia e a ilegitimidade do actual sistema associativo. Nós queremos um sistema associativo mais democrático e transparente. Nós queremos uma melhor gestão do património das associações académicas – leia-se, uma gestão verdadeiramente profissional. Nós queremos combater os lobbies e as camarilhas que se servem das instituições em proveito próprio, em detrimento dos interesses dos estudantes e do próprio ensino superior. E se, para tal, tivermos que dizer certas verdades e tocar em questões sensíveis, que assim seja!

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DESABAFO No blog do Movimento Unitário de Luta Académica, encontrei um texto de um alegado antigo colaborador da Direcção da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), que constitui um tocante testemunho a respeito da verdadeira natureza do nosso associativismo. Penso que este texto retrata na perfeição a desilusão que muitas pessoas honestas sentem quando se apercebem dos interesses, das manipulações e da falta de transparência dos orgãos associativos. Não resisti, por isso, a aqui transcrevê-lo:

"(...) Este ano fiz parte da direcção da Associação..e agora simplesmente me recusei a concorrer outra vez porque a minha consciência assim mo ditou.

Não aceito que ponham no mesmo saco quem lá esteve e quem está a fazer por lá estar. Muitas das coisas que vi revoltaram me, entre elas a utilização dada às carrinhas da A.A.U.M. e o dinheiro gasto em telemóveis..ainda mais me revolta ver gente a concorrer naquela lista apenas com o intuito de ter 1 telemóvel e poder dizer "eu sou vice presidente disto e daquilo..."

E mais grave ainda é isto acontecer com gente que literalmente "caga" para os livros, preocupando se com os copos, "garinas" and so on!É um grande orgulho poder dizer que "fiz 1 cadeira este ano" com um grande sorriso nos lábios..é esta a competência que espero não ficar à frente da nossa academia!

Agora uma coisa vos peço: não sejais totalmente injustos ao dizer que não viram trabalho nenhum - muito do trabalho não tem a visibilidade de 1 enterro da gata ou de 1 recepção ao caloiro, mas ele foi feito e está lá: quer a nível pedagógico, desportivo,recreativo, whatever!

Por último, experimentem pedir a facturação dos telemóveis da associação durante este último mês..e experimentem interrogar a associação porque alugou um carro para o ENDA quando tem duas carrinhas, estando uma delas parada para o uso pessoal de sua ex.a. o Presidente..ah!já agora perguntem como se têm feito transportar os senhores candidatos para os eventos da lista!enfim..1 porrada de situações que dava para eu falar a noite toda..

Por isto resta-me dizer:força B!Têm o meu voto... Ass.: Congo"
(11/12/2003)

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HISTÓRIAS VERÍDICAS (V): O dia da votação da Auditoria...

Passou-se isto em Dezembro de 2002, no dia seguinte às eleições para a direcção da A.A.U.M. (Associação Académica da Universidade do Minho):

Um número escasso de alunos comparece a uma Reunião Geral de Alunos Extraordinária. Finalmente, depois de quase uma hora de espera pelos dirigentes da A.A.U.M (direcção cessante e direcção que iria tomar posse...já que eram a mesma), a RGA começa...

Depois de alguns pontos da ordem de trabalhos terem sido discutidos, um grupo de alunos composto por elementos das duas listas derrotadas nas eleições da véspera, propõe que se realize uma Auditoria Externa às contas da Associação (Auditoria que já estava prevista, segundo os novos estatutos da A.A.U.M., aprovados uns meses antes).

Em escassos minutos a sala onde decorria a RGA enche - porque será? - e a proposta é chumbada por um ou dois votos...

Dessa RGA, existem dois momentos que nunca hei-de esquecer...

O primeiro remonta à intervenção de um dos estudantes que tinha assinado a proposta, que numa reflexão plena de inteligência perguntou aos membros da direcção o porquê do seu voto contra a proposta...já que esta mesma Auditoria estava prevista nos novos estatutos, a proposta só lhe impunha datas...

O segundo momento surge quando alguém se lembra de perguntar quem efectuaria a Auditoria prevista nos estatutos...a resposta dada pelo então Presidente da Mesa da RGA foi brilhante: "Será feita pela empresa de uns amigos meus..."

Estive seis meses a viver fora de Portugal, mas pelo que sei esta auditoria ainda não foi realizada...

E é esta a nossa democracia...

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HISTÓRIAS VERÍDICAS (IV): O dia em que um redactor do "Académico" foi proibido de gravar uma RGA...

Era eu aluno do 2º ano de Comunicação Social e estava a trabalhar para o Académico, quando fui incumbido de cobrir uma RGA (Reunião Geral de Alunos). Como qualquer pessoa sensata que tem de fazer um artigo de 2000/3000 caracteres sobre 4 ou 5 horas de discussão, levei o meu bloco de notas e um gravador de apoio.

No inicio da RGA, quer eu quer a colega da RUM (Radio Universitária do Minho), fomos impedidos de gravar qualquer afirmação que fosse preferida na RGA pelo Presidente da Mesa.

Depois de muita discussão a RGA foi interrompida por momentos, onde quer eu quer a colega da RUM, tentamos explicar que a Constituição Portuguesa (onde se prevê a liberdade de expressão e de informação) tinha de estar acima dos estatutos da A.A.U.M.(Associação Académica da Universidade do Minho)

Após esta discussão, e ainda incredúlo, o então Presidente da mesa da RGA levou a votos a proposta de quer a RUM quer o Académico terem a possibilidade de gravarem a RGA, proposta que foi aceite por maioria (quase unanimidade).

Conclusão: Que associação democrática tinhamos que proibia que os órgãos de Comunicação Social, que informam os alunos da U.M., não pudessem efectuar a sua Reportagem de uma RGA, que supostamente deveria ser uma reunião de todos para todos...

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quarta-feira, julho 07, 2004

REVISÃO DO REGULAMENTO ELEITORAL Creio que é necessária uma revisão dos Estatutos. E, nesse âmbito, devia fazer-se o seguinte em relação ao regulamento eleitoral:

- Aumentar o número de mesas de voto, à razão de, pelo menos, uma mesa em cada Complexo Pedagógico da Universidade do Minho.

- Ligar as mesas de voto a um terminal informático, de modo a controlar melhor os chamados "votos duplos".

- Retirar o direito de voto aos caloiros que, no caso da nossa Academia, são chamados a votar dois meses depois de chegarem à UM. É óbvio que não têm uma correcta percepção da situação e que são manipulados pelas listas. Muitos destes caloiros desinteressam-se pelo associativismo precisamente porque, mais tarde, adquirem consciência da forma como foram manipulados.

- Impôr restrições ao cacique à boca das urnas, realizando as eleições em locais em que este se torne mais difícil.

- Impôr limites quanto ao número de elementos colaboradores das listas. É intelectualmente desonesto afirmar que uma determinada lista terá 400 colaboradores... é impraticável e, também, uma forma de enganar o eleitorado.

- Alargar os prazos de campanha eleitoral.

- Alterar a forma de eleição da Comissão Eleitoral, passando os seus elementos a ser nomeados directamente pelas listas candidatas, em igual número cada uma (em caso de listas "fantasma", os elementos por elas nomeados deixavam a comissão).

- Aumentar o número de elementos da Comissão Eleitoral, para fazer face a um aumento do número de mesas de voto.

(CONTINUA)

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HISTÓRIAS VERÍDICAS (III) Quando era director do "Académico", a direcção da AAUM insistiu em mudar de paginador do jornal e criar um novo grafismo. Eu e os meus colegas concordámos, porque achamos que seria o melhor para o jornal. O problema é que o paginador vivia a 50 km de distância e os ficheiros tinham que ser enviados via email. Era (e é) um indivíduo competente e simpático, mas vivia muito longe. No entanto, lá nos conformámos e, com o tempo, conseguimos criar um método de trabalho eficaz. Todavia, alguns meses mais tarde, vim a saber que a direcção da AAUM tinha acesso ao jornal paginado ainda antes de nós, ou seja, da própria direcção do jornal! Recebiam-no via internet e liam-no antes de toda a gente...

Era uma versão moderna da censura prévia...

Depois começamos a alterar o jornal, já depois de paginado... claro que eles não gostaram (fizeram questão de mo transmitir), mas tiveram que engolir o sapo.

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HISTÓRIAS VERÍDICAS (II) Entre dois copos de cerveja, diz-me um dirigente de um movimento universitário: "O jornal académico deve ser dirigido pela direcção da associação, para que só diga aquilo que interessa". E acrescentou: "Há opiniões que não interessam".

E assim vai a liberdade de expressão na nossa Academia.

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HISTÓRIAS VERÍDICAS (I) Em plena Reunião Geral de Alunos para discussão e aprovação do Relatório de Contas de 2001 da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), lê-se uma mensagem do presidente do Conselho Fiscal, encarregue, segundo a lei, de emitir um parecer sobre o Relatório de Contas elaborado pela Direcção:

"(...) O nosso parecer é o seguinte: Não podemos emitir um parecer, por falta de elementos".

Ou seja, a direcção da colectividade não forneceu ao Conselho Fiscal os elementos necessários à elaboração do parecer - leia-se, facturas, recibos, etc. Refira-se que as más línguas, por qualquer razão, atribuíram o facto de o presidente do Conselho Fiscal não estar presente na RGA a ameaças que teria recebido na véspera...

Todavia, quando parecia que o Relatório não podia ser aprovado por falta de um parecer válido, o presidente da Mesa da RGA interviu em socorro da Direcção. Perante a estupefacção geral - com a evidente excepção dos membros da Direcção, que manifestavam visível alívio - o presidente da Mesa da Assembleia Geral considerou válido aquele parecer, devido às palavras iniciais: "O nosso parecer é que...".

A sala irrompeu em gargalhadas e protestos... parecia uma anedota. E foi assim que, fazendo uso de uma singular forma de interpretar um texto, o Relatório de Contas foi aprovado sem todos os elementos necessários...

E assim vai a nossa associação académica...

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"HI HO, HI HO!" Um tal de "Puro Sangue" tem inundado as caixas de comentários deste blog com comentários ofensivos e outras provocações. Pelos vistos, o referido indivíduo recusa-se a assinar o que escreve, dando como única referência um curioso pseudónimo que tanto remete para uma raça cavalar (ou mular?), como para uma qualquer ideologia supremacionista. Mas adiante...

Pergunta-me ele: "Quem és tu? Que credibilidade tens tu? A quantas RGA's vais tu? Porque é que saiste do Académico? Porque é que o Impacto não continuou?? Falta de verbas!!!! Desvios.... não sei... mas gostava que comentasses."

Na verdade, eu não tenho qualquer obrigação de responder a provocações, ainda mais quando estas partem de um covarde que se esconde no anonimato. Todavia, e como não tenho nada a esconder, vou responder às questões que este sujeito me coloca.

Quem sou eu? Sou um estudante como qualquer outro.

Que credibilidade tenho eu? Não tenho nem mais nem menos credibilidade que tu ou outro estudante. Mas trabalhei, durante dois anos, juntamente com os meus colegas, para que esta Academia tivesse o único semanário académico português.

A quantas RGA's vou? Vou a poucas, porque as RGA's transformaram-se num circo. Não é preciso ser um génio para saber isso. Votações manipuladas, pareceres do Conselho Fiscal que não são pareceres ("O nosso parecer é: não podemos dar um parecer por falta de elementos"), etc. Contribuir para um circo e uma fantochada? Enquanto as coisas permanecerem assim, não, obrigado.

Porque saí do "Académico"? Porque a partir de determinada altura, passei a ser incómodo para alguns dirigentes. E porque, sabendo essas mesmos dirigentes que existia alguma "oposição" interna dentro do jornal à minha direcção, a minha situação tornou-se muito precária. Por exemplo, soube que a direcção da AAUM tinha convidado pessoas para me substituirem ainda antes de me demitir... sabendo isso, preferi sair pelo meu próprio pé, obrigado!

Porque é que o Impacto não continuou? Porque não tínhamos meios. As despesas rondavam cerca de 600 contos por mês, o que é manifestamente demasiado para um punhado de estudantes. "Desvios"? Mas como é que eu podia roubar o que me pertencia? Eu era um dos dois sócios do "Impacto", ou seja, era um dos proprietários. Aquilo não era uma associação, mas sim uma empresa.

Portanto, deixo um conselho ao "Puro Sangue" e companhia: abram os olhos e não acusem os outros com base em boatos e suposições.

Tenho adoptado uma postura crítica em relação ao actual sistema associativo, mas não ataco pessoas em concreto. Ataco o sistema, porque entendo que é ilegítimo, anti-democrático e propenso a que se verifiquem abusos. Acho que é possível construírmos um melhor sistema de representação dos estudantes; mais transparente, mais profissional e mais democrático.

P.S.: já agora, e a propósito da questão levantada pelo "Puro Sangue" & Comp.ª a respeito do meu papel na fundação do "Semanário Académico", recomendo uma visita ao catálogo geral da Biblioteca da Universidade do Minho, neste endereço. A Biblioteca possui todos os exemplares do "Semanário Académico", desde a sua fundação. Por causa disso, o meu nome consta do rol de autores das publicações ali guardadas.

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quarta-feira, junho 16, 2004

Finalmente consegui organizar a vida de forma a poder escrever um "textozito" aqui para o blog. Espero que gostem e que as informações dadas ajudem a elucidar qualquer dúvida que tenham.


Tunas Académicas – Resenha Histórica


Terá sido fundado, no ido ano de 1212, em Espanha, o primeiro "Studium Generale" suposto antecessor das actuais Universidades. Cerca de 70 anos mais tarde, mais precisamente no ano de 1285, D. Diniz mandou construir os Estudos Gerais de Lisboa que, após começarem a aparecer diversos problemas entre a população e os estudantes, foram transferidos para Coimbra surgindo, então, a primeira Universidade Portuguesa (com esta designação).

Aos Estudos Gerais que, entretanto, foram aparecendo acediam jovens de todo o país e mesmo de outros países vizinhos para melhorarem a sua educação e aumentarem a sua cultura. Assim surgem, em Espanha, os Sopistas, predecessores dos actuais Tunos.
Os designados Sopistas eram estudantes pobres que, com as suas músicas, simpatia e brincadeiras percorriam casas nobres, conventos, ruas e praças em troca, muitas vezes, de um prato de sopa (daí o seu nome - sopistas) ou de uma moeda que os ajudasse a custear os estudos.
Quando caía a noite e tocavam os sinos de recolha cantavam serenatas às donzelas que queriam conquistar, sendo, muitas vezes, perseguidos pelas polícias universitárias (visto que o recolher era obrigatório para os estudantes). Daí que os sopistas começaram a utilizar longas capas negras para que, envoltos na noite escura, se pudessem esconder dos polícias.
Os Sopistas, eram conhecidos por transportarem sempre consigo um garfo e uma colher de madeira, que lhes permitia comer em qualquer lado as esmolas que recebiam. Assim, quando se formaram as primeiras Tunas, baseadas nas tradições sopistas, os símbolos adoptados (essencialmente em Espanha) foram, justamente a colher e o garfo de madeira.
Durante a idade média o comportamento boémio dos estudantes universitários, que viviam como trovadores e saltimbancos, era um fenómeno comum por toda a Europa. A este tipo de estudantes dava-se o nome de Goliardos. Em 1300 aparece na "Liber Constitutionem" da Universidade de Lérida, em Espanha, um artigo que proibia as rondas nocturnas dos estudantes visto que perturbava a cidade a horas de descanso. A sanção para os prevaricadores era ficarem sem os seus instrumentos

Foi no século XVI que se formaram as Tunas como as conhecemos hoje. Os sopistas passaram a ter direito, segundo a "Instrucción para bachilleres de pupilos" instaurada em 1538, a residências estudantis (para aqueles que não podiam custear o seu alojamento). Residências essas nas quais não se podiam misturar cursos diferentes e eram dirigidas pelos estudantes mais antigos. Assim, foram-se juntando nas residências os sopistas, e consequentemente, nunca foram grande exemplo de estudo, daí que no livro "La vida del Pícaro Guzmán de Alfarache" podemos ler: "(…) no querían ver libro, ni atender a lo que habían venido a la Universidad; jamás se les caían las guitarras de las manos, daban mucho entretenimiento, cantaban muy bueno sonetillos y siempre tenían de nuevos, y los sabían hacer muy bien y pasar el instrumento". Os jovens que queriam fazer parte da, já afamada, comunidade sopista tinham de oferecer "escuderia", ou seja, os seus préstimos aos sopistas mais velhos e, em troca, recebiam destes os ensinamentos para aprenderem a sua arte. Assim, até terminarem o período em que eram "pupilos" serviam lealmente os mais velhos à espera de um dia se tornarem como eles. Estes costumes, ainda hoje presentes nas Tunas (distinção entre tunos e caloiros), foram uma das origens mais remotas da Praxe.

Julga-se que o nome Tuna foi baseado num bei de Tunes – Tunísia – que levava uma vida trovadoresca e, sendo boémio e mulherengo, passava dias e noites a cantar pelas ruas e em grandes festas com os amigos andando pela noite a encantar as donzelas de Tunis com serenatas cantadas ao som do seu alaúde. Mais tarde, visto que o nome sopista já não condizia com a realidade (uma vez que os estudantes passaram a tocar para se divertirem e não para sobreviverem) e tornara-se depreciativo, os grupos de estudantes de tradição sopista passaram a denominar-se por Tunas. Esta origem secular das Tunas, que remonta ao mundo Árabe, explica porque razão o bandolim desempenha um papel fundamental na sonoridade das Tunas pois foi inspirado no Alaúde deste bei. Os instrumentos eram, e ainda são (apesar de algumas alterações mais recentes), maioritariamente cordofones pois isto permitia às Tunas andarem pelas ruas sem terem grandes problemas com o seu carregamento e manejamento.

Em Portugal, as Tunas, surgiram apenas em meados do séc. XIX e existem ainda factos bastante contraditórios sobre o surgimento destes grupos de jovens no nosso país.
É já quase considerada uma lenda a história de que um grupo de estudantes de Coimbra se deslocou, um dia, a Espanha e, observando o sucesso que as Tunas por lá faziam, importaram a ideia para o nosso país. No entanto, há quem afirme que as Tunas surgiram após o já extinto jornal de Coimbra "O Conimbricense" e mais alguns jornais Espanhóis da época terem, no Carnaval de 1888 noticiado a visita da «Estudantina de Santiago de Compostela» a Coimbra, visita essa que terá impulsionado, de forma inequívoca, a criação, em Coimbra, de um grupo que viria a ser designado pela comunicação social da época e pelos próprios estudantes como "Estudantina Académica de Coimbra" ou "Estudantina Coimbrã". Mas, só em 1896, este agrupamento, que desde 1888 foi tinha vindo a ser regido pelo Dr. Simões Barbas, professor de música da Universidade de Coimbra, adoptou a designação de “Tuna Académica da Universidade de Coimbra”. Foi, aliás, com esta designação que o grupo se deslocou a Espanha (Santiago de Compostela), sob a Regência do Dr. Simões Barbas e tendo como presidente da direcção o Dr. Egas Moniz (prémio Nobel), para retribuir a visita da “Estudantina de Santiago de Compostela”.
O verdadeiro crescimento e aparecimento de Tunas deu-se já em finais dos anos 80 inícios dos anos 90 do Século XX e partiu da Estudantina Universitária de Coimbra, que fazia parte, em 1984, da secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, e também, do Orfeão Universitário do Porto que, em 1988, é a primeira instituição a quebrar o luto académico começando a envergar o traje académico para cantar e tocar com os seus diversos grupos, nomeadamente, a Tuna Universitária do Porto.
Hoje em dia as Tunas são um fenómeno generalizado em Portugal, Espanha e América Latina, existindo ainda algumas fora destas zonas (Holanda, Irlanda, etc.).

* Os factos aqui descritos são baseados em vários documentos, ilações do senso comum e ainda em lendas que vão passando, por tradição oral, de geração em geração e de tuna em tuna.

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